Newsletter AgriSafe · Edição #1
R$ 565 bilhões em CPR, inadimplência recorde — e por que este é o melhor momento para quem lê o risco de verdade
por Renato Takamura · · publicação semanal · 3 min de leitura
Dois números que, juntos, deveriam pautar toda mesa de crédito do agro.
O estoque de CPR chegou a R$ 565 bilhões em maio de 2026 (+13% em 12 meses; +54% no ciclo anterior, B3 / MAPA, 2025–2026). No mesmo período, a inadimplência do crédito rural saiu de 1,1% (dez/2023) para 6,5% (fim de 2025), chegando a 7,4% entre pessoas físicas em fev/2026, recorde do Banco Central. E o agro fechou 2025 com 1.990 recuperações judiciais, quase 4× os 534 de 2023 (Serasa Experian, 2025). A causa tem nome: margem. A projeção CNA/CEPEA para a soja 2025/26 aponta queda de ~47,6% em área própria (R$ 2.325 → R$ 1.219/ha) e margem negativa em área arrendada.
Distress no papel. E, para muita gente, pânico.
A virada
Para quem já atravessou outros ciclos de baixa, esse quadro não se lê só como risco, se lê como janela. As fusões e aquisições que num ciclo de baixa costumam acontecer por necessidade são, para quem se planejou e tem boa leitura macro, oportunidade. E as barreiras que assustam, registros, exigências regulatórias, compliance, são o que protege quem entra bem preparado e quer reorganizar a cadeia de valor. São, e vão continuar sendo, barreira de entrada. Hoje, são também a porta.
O que separa quem aproveita de quem vira estatística
O preço do arrendamento qualquer executivo de crédito conhece. Mas o agronegócio sempre correu sobre informações não públicas: a produtividade média real do produtor, a relação dele com os stakeholders da região, o histórico que não cabe em cadastro. Quando as equipes de crédito passaram a terceirizar a decisão para ferramentas automáticas de score, cresceu uma miopia. O maior valor está no entendimento real do risco, e o risco real se resume a quão forte é o relacionamento para que nenhuma parte queira romper o combinado.
Score te dá enquadramento. Não te dá isso.
Como se lê o rio
É o trabalho que fazemos na AgriSafe: além de um método que enriquece e ressalta os dados que já existem, combinamos com dados que só o monitoramento contínuo entrega, e essa combinação é o diferencial. Atravessar um período assim é como cruzar pela primeira vez um rio perigoso: muitos riscos, a travessia nunca é igual, mas existem padrões, e são eles que, com experiência e dedicação, fazem a recompensa do outro lado valer a travessia.
Se você concede ou analisa crédito ao produtor: numa safra apertada, você está precificando o relacionamento, ou só o score?
Escrevo isto toda segunda-feira, com a fonte na mesa.
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